O projeto Juízas do Amanhã, uma iniciativa da Diretoria AMEPE Mulheres, foi lançado nesta quarta-feira (23), na Faculdade de Direito do Recife (FDR/UFPE). O primeiro encontro reuniu estudantes no Auditório Tobias Barreto, que ficou lotado. A proposta é aproximar os futuros profissionais do Direito da magistratura, apresentar as possibilidades da carreira e ampliar a participação feminina no Judiciário.
Na abertura, a presidente da AMEPE, Ana Veras, explicou que o projeto nasce de uma preocupação com os últimos concursos de ingresso na magistratura, que vêm registrando menor participação, especialmente de mulheres. “Um dos projetos da Diretoria AMEPE Mulheres é inspirar e incentivar a participação feminina no ingresso na magistratura”, afirmou. Segundo ela, a ideia é levar às faculdades, de forma leve, o que faz um juiz e uma juíza, como é o início da carreira, o trabalho nas comarcas do interior e o impacto das decisões na vida das pessoas.
Em seguida, a diretora da AMEPE Mulheres, juíza Eunice Prado, apresentou um breve histórico da presença feminina no Direito e na magistratura. A magistrada também tratou da Resolução nº 525/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece ações afirmativas para garantir a paridade de gênero no acesso de magistradas aos tribunais de segunda instância, mas alertou que as políticas de paridade dependem de uma base: novas ingressantes. A pesquisa Perfil das Magistradas Brasileiras e Perspectivas de Gênero: Rumos à Equidade nos Tribunais mostra que o maior volume de ingressos entre as magistradas ouvidas ocorreu entre 2000 e 2009 (36%), caindo para 28% na década seguinte. “Percebemos que não adiantava fazer tanto pelas políticas de paridade se não houvesse novos ingressos. Se fôssemos às faculdades e explicássemos como é a carreira, poderíamos inspirar novas ingressantes”, disse.
Em seguida, a diretora adjunta da Diretoria AMEPE Mulheres, Dulceana Maciel, as também juízas Cecília Kelner, Ingrid Miranda, Roberta Viana e a desembargadora do TJPE e diretora da Escola Judicial de Pernambuco (Esmape), Daisy Andrade, compartilharam suas trajetórias, os desafios da carreira e o amor pela profissão. “O projeto acertou em conversar com as estudantes de Direito para que elas percebam o que é essa carreira e que ela é extremamente alcançável por qualquer pessoa”, afirmou a desembargadora.
A vice-diretora da FDR, Antonella Galindo, destacou o simbolismo de a faculdade ser a primeira a receber o projeto. “A pauta da igualdade de gênero é, sobretudo, civilizatória, no sentido de uma maior participação das mulheres em espaços de poder e decisão. E um desses principais espaços é a magistratura”, disse.
Aberto a todos os estudantes, o encontro reuniu não só alunas, mas também muitos alunos interessados na carreira. Entre o público, a iniciativa despertou planos e reacendeu sonhos. Recém-formada pela FDR, Alba Wanessa Batista destacou a importância de entender o que está por trás da figura da juíza e como ela pode contribuir com a sociedade. “O meu objetivo é ingressar na magistratura, em especial no TJPE”, contou. Já Maria Clara Vasconcelos, estudante do 1º período, ainda não definiu a carreira, mas saiu motivada. “Desde criança, sempre tive vontade de ser juíza. A palestra foi muito esclarecedora e muito boa para reativar esse sonho de criança.”
O próximo encontro do Juízas do Amanhã será no dia 30 de setembro, às 18h, também na Faculdade de Direito do Recife, voltado aos estudantes do turno da noite.