No terceiro dia de exercício como magistrada da Vara Única da Comarca do Bom Jardim, a juíza Mariana Flores celebrou o casamento coletivo de seis pares de cônjuges, aliando a festividade ao início de uma campanha de combate contra a violência doméstica e familiar na Comarca. A cerimônia foi realizada na manhã do último dia 27 de março, nas dependências do Fórum da cidade.
Ao analisar as condições da unidade judiciária, a juíza constatou que existem ali mais de 150 de processos que envolvem a violência entre casais, um número alto, considerando que Bom Jardim e Machados (termo da Comarca), somados, têm uma população interior a 50 mil habitantes. “Como atestei esse quantitativo significativo, relacionado a requerimentos de concessão de Medidas Protetivas de Urgência para mulheres, distribuí, após a realização do casamento, os panfletos do Violentômetro, que descrevem as atitudes que, acumuladas, podem resultar no crime de Feminicídio – e a cartilha SILÊNCIO NÃO PROTEGE, DENUNCIE, produzidos pela Coordenadoria Estadual da Mulher do TJPE, anexados ao doce conhecido como Bem-Casado”, declara a juíza.
“Pensei em trazer esse alerta no casamento, agendado antes da minha chegada à comarca, sem que se perdesse a leveza de uma cerimônia festiva como é a de casamento”. Ela apresentou o projeto para aprovação da coordenadora estadual da Mulher, desembargadora Daisy Andrade, após se aconselhar com o juiz da Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Francisco Tojal, e, assim deflagrou a campanha de conscientização “com delicadeza e respeito aos noivos”.
A magistrada redigiu o seguinte compromisso e solicitou que fosse repetido por cada um dos noivos na celebração. “A minha pretensão é a de estabelecer um diálogo contínuo para a mudança de atitude dos maridos para com as suas esposas, invertendo o paradigma social que aceita, endossa e negligencia a violência contra a mulher”. Além da entrega dos panfletos e doces para os consortes e as testemunhas, a juíza também organizou a decoração da solenidade.
A magistrada destaca ainda que as ações de combate à violência doméstica serão adotadas de forma permanente e ampla na Comarca. “Inclusive, nas reuniões que fizemos com os Delegados, com CRAS, CREAS, Conselho Tutelar e Coordenadoria da Mulher de Bom Jardim, tenho buscado o diálogo e o enfrentamento desse problema social”, explicou.
Fonte: Com informações do TJPE
Fotos: cortesia